terça-feira, 27 de maio de 2008


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Alberto Caeiro

8 comentários:

Bombocaa disse...

:)

olha quanto ao assunto do te parecer ser...pois, ja fui confirmar, tb me pareceu
ehehehe
kissinhossss

lalisca.cs-life disse...

Quando por detrás do visivel está o melhor...

beijinhos!!

Rocket disse...

na verdade, nem sequer cor existe nas coisas...

Sadeek disse...

Mé...poemas é para malucos, porra! ;)

BEIJOOOOOOOOOOOS

Maísa disse...

Ora aqui temos um belíssimo texto de Caeiro, repleto de tão puras verdades.
Jinho.

Dirty Day disse...

Tens algo para ti no meu blog

Armanda Barbosa disse...

ja conhecia, mal li a primeira estrofe e ja sabia d kem era, Caeiro é assim :P

Ai e Tal... disse...

É dificil, sim... Mas é belo :)

***MUAH*** Bom fim de semana boneca ;)